Há pouco mais de um mês, ao anunciar as medidas de combate a propagação da pandemia de Covid-19, o presidente francês Emmanuel Macron declarou que seu país estava em guerra contra o vírus. Esta afirmação nos fez lembrar da origem da logística, que surgiu nos períodos de guerra como uma prática desenvolvida pelo exército para o abastecimento das tropas com armamentos, mantimentos, roupas e medicamentos, dentre outros itens essenciais, para lugares remotos nos campos de batalha.

De fato, o mundo não experimentava uma situação tão extrema como a de agora desde o fim da segunda guerra mundial, quando o fluxo de pessoas e mercadorias foi amplamente afetado pelo conflito. Por isso, a analogia do presidente francês com o período de guerra faz certo sentido. Entretanto, ao invés de abastecer o front, dessa vez a logística tem um papel fundamental ao garantir o abastecimento de milhões de pessoas ao redor do mundo durante uma guerra contra o inimigo invisível – o Sars-Covid-2.

Com boa parte do comércio e da indústria fechados por longas semanas, cabe aos profissionais das cadeias de suprimentos essenciais - como a de alimentos, bebidas, medicamentos, materiais de limpeza, entre outros - garantir que supermercados, farmácias e distribuidores, por exemplo, continuem abastecidos durante esse momento tão delicado para humanidade. Afinal, como seria possível sobreviver durante o período de isolamento social sem o abastecimento desses ítens tão essenciais para o nosso dia-a-dia?


Podemos também ver com clareza a importância de milhares de profissionais que atuam em todos os elos da cadeia de Supply Chain para garantir que equipamentos e insumos hospitalares de primeira necessidade cheguem até os hospitais, evitando assim um colapso ainda maior nos sistemas público e privado de saúde. Sem esses “guerreiros” anônimos, como os respiradores pulmonares, essenciais para pacientes do novo coronavírus, ou as máscaras de proteção para profissionais da saúde, que lutam incansavelmente para salvar a vida de milhares de infectados, chegariam ao seu destino final?

Gestão da escassez

Quando pensamos na cadeia de Supply Chain, talvez um dos pontos que mais chama a atenção na atual crise seja a importância do planejamento e da agilidade na busca de soluções alternativas, para o fornecimento de determinados itens essenciais e que, pelo aumento repentino na procura, se tornaram repentinamente escassos no mercado.

Como exemplos, podemos citar o álcool em gel e as máscaras de proteção N95. No caso do álcool, foi necessário readequar a produção das fábricas a fim de atender a demanda que, do dia para noite, cresceu exponencialmente. Além disso, novos e inusitados fabricantes entraram em cena, gerando capacidade de produção adicional e planos de distribuição a fim de suprir a demanda da população.

Já para as máscaras de proteção N95 foi necessário um planejamento visando priorizar um setor essencial – os hospitais. Sem capacidade para produção nacional imediata deste item no volume necessário, além de dificuldades e longos prazos para a importação, foi preciso redirecionar os estoques para àqueles que estão na linha de frente no combate ao coronavírus, os profissionais da saúde. Ou seja, foi necessário que os profissionais que trabalham na cadeia abastecimento gerissem a escassez do estoque de máscaras para resguardar a saúde de médicos e enfermeiros.

Ajudando a vencer a batalha

Apesar da volta gradual do funcionamento das atividades comerciais e industriais, com o afrouxamento das medidas de isolamento social, o fato é que ainda não sabemos ao certo quando a situação estará normalizada. Sem uma vacina para a Covid-19, é provável que nosso cotidiano ainda seja afetado pelo vírus por longo período.

Seja como for, se estamos em guerra como Macron disse, é importante saber que podemos contar com os “soldados” da logística, que trabalham incansavelmente para abastecer a população e nos ajudar a vencer essa batalha.